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terça-feira, 24 de maio de 2011

Breve observação sobre a teologia da prosperidade


Essa crença está tão distante da realidade do verdadeiro cristianismo, que fica difícil até de conversar com seus adeptos que aliás, em um mundo cada vez mais distante de Deus, é razoável que ela ganhe cada vez mais força e mais adeptos. Quem não quer um evangelho onde seus inimigos veem contra você por um caminho e por sete caminhos eles fogem? (Dt 28.7). Quem não aceitaria um evangelho onde você investe 10% de sua renda, e em troca, bençãos sem medida lhes seria acrescentadas? (Ml 3.10). Quem negaria um evangelho onde você irá comer o melhor dessa terra? (Is 1.19). Que louco não preferiria ser calda ao invéz de ser cabeça? (Dt 28.13), ou negaria um evangelho em que muitos lhe pedirão emprestado e você nunca precisará de nada (Dt 28.12). Notem que tudo que estou citando tem respaldo bíblico, mas estou sendo incoerente no uso das Escrituras Sagradas. Quando se interpreta um texto, devemos fazer certas observações e perguntas ao mesmo. Perguntas do tipo: "quando, porque, para quem, onde..." nunca devem ser ignoradas. É necessário também conhecer um pouco sobre história religiosa para se entender todo panorama da época em que a passagem foi escrita. Nunca se deve ignorar o tipo de escrita da época em que se está estudando. SEMPRE o contexto dever ser considerado pois mesmo que exista um mandamento bíblico, deve-se verificar como foi a aplicação desse mandamento. Enfim, há uma série de critérios que nunca devem ser ignorados! Um critério que muita gente ignora e que tira totalmente a raiz da teologia da prosperidade, é o que vou expor abaixo:
Israel ou igreja?
Eis aqui uma questão aparentemente simples porém, lamentavelmente muitos se confundem profundamente. A antiga nação eleita de Israel, foi chamada por Deus para uma prosperidade muito grande desde que observasse as ordenanças da lei de Moisés. Posteriormente, com e rejeição da nação de Israel, Deus chama os gentios para a salvação e santificação. Como gentios eleitos por Deus, somos chamados de "Israel de Deus" pelo fato de que agora somos filhos de adoção por meio de Jesus Cristo (Ef 1.5). Engana-se quem imagina que só porque somos o novo Israel de Deus, podemos tomar posse de todas as bençãos prometidas a nação israelita, pois muitas das promessas são deles e não nossas (Rm 9.3-5). A nação de Israel foi chamada para uma benção terrena onde de princípio, uma terra que manava leite e mel seria seu descanso (Ex 3.17). As outras nações pediriam emprestado e não o contrário (Dt 28.12). Nenhum maravilhoso céu ou promessas espirituais de vida eterna foram pregadas claramente no antigo testamento. Não é de se estranhar a pergunta "Morrendo o homem, porventura tornará a viver?..." (Jó 14.14). No novo testamento, as riquezas e homens ricos não são bem vistos e foram combatidos de maneira severa. Jesus Cristo alertou sobre a dificuldade de uma pessoa rica ser salva "E ainda vos digo que é mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que entrar um rico no reino de Deus." (Mt 19.24 ). Parece que Satanás sabia que uma pessoa rica encontra muitas dificuldades na caminhada terrena, então colocou o maior de seus planos: "Se não pode destruir as pessoas, deixe que elas se destruam sozinhas". O melhor jeito é fazendo como fez Balaão que não podia amaldiçoar o povo que era protegido por Deus, mas podia lançar tropeços para o povo se desviar. Assim é Satanás, que usa de tropeços como as riquezas. Quer que uma pessoa se torne altiva? Encha ela de dinheiro!
É pequena a diferença entre Igreja e Israel terreno?
Para chegarmos em um acordo, vamos comparar os principais personagens do velho e novo testamento para termos um panorama da vida de cada um deles.
No velho testamento (Aliança)
José: Homem rico próspero que se tornou governador do Egito abaixo apenas de faraó (Gn 41.42-52). Viveu cento e dez anos e viu a terceira geração de seus filhos (Gn 50.23-26)
Abraão: Homem muito rico e próspero (Gn 13.2). Antes de morrer deu seus bens a Isaque e morreu em ditosa idade, com 175 anos (Gn 25.5-8)
Isaque: Homem riquíssimo (Gn 26.12-14). Morreu farto de dias com 180 anos.
Jacó: O mais rico próspero (Gn 30.43). Morreu rico, tão velho que suas vistas escureceram.
: O homem mais rico do oriente (Jó 1.3). Ficou o dobro mais rico, morreu tão velho que viu a quarta geração de seus filhos (Jó 42.12-17)
Esses são apenas alguns de muitos exemplos como Salomão em que a riqueza que possuia dispensa comentários.
No novo testamento (Aliança)
Logo de início vemos que Jesus havia preparado seus discípulos de como seria suas "abundantes vidas" "...e eles matarão uns, e perseguirão outros;" (Lc 11.49), “E até pelos pais, e irmãos, e parentes, e amigos sereis entregues; e matarão alguns de vós. E de todos sereis odiados por causa do meu nome” (Lucas 21.16-17).
João Batista: Passou o resto de sua vida encarcerado e foi decaptado, sendo sua cabeça oferecida a filha de Herodias (Mt 14.10-11)
Pedro: Não possuia riquezas (At 3.6). Conforme a história, morreu pobre e cruscificado de cabeça para baixo, pois dizia não querer morrer semelhante a seu Senhor.
André: Pescador e irmão de Pedro. Morreu cruscificado em uma cruz na forma de X, que muitos a chamam de "cruz de santo André".
Estêvão: Interessante que um servo de Deus era conhecido não pelo dinheiro que tinha mas assim como Estêvão, por ter "...boa reputação, cheios do Espírito Santo e de sabedoria..."(At 6.3). Morreu apedrejado (At 7.58-60)
Tiago: Irmão de João apóstolo. Morreu a fio de espada (At 12.2)
Paulo: Empresário? Não! Construtor de tendas que viveu muitas vezes em muita pobreza (At 18.3, Fp 4.10-11 ). Passou o restante de sua vida preso(2 Tm 1.8) e segundo a história, na sua velhice foi decaptado em Roma.
Certa vez uma mulher falou com meu professor de teologia, que a bíblia afirma que nunca veríamos "um justo mendigar o pão". Claro que para afirmar isso ela teve que recorrer novamente ao velho testamento pois ela fazia menção do Salmo 37.25. Será que ela se esqueceu que existe mendigo justo na bíblia? Jesus em uma de suas parábolas, deve ter esquecido que "a vida é abundante em riquezas", pois coloca o justo como mendigo e o rico como impio (Lc 16.19-31). Coitado de quem bate no peito e diz que nunca viu um justo desamparado! O texto de Salmo 37.25, são exclusivamente as palavras de Davi.
Muito teria para acrescentar esse estudo mas para fazer jus ao tema, devo ser "breve" na observação. Espero que essa matéria tenha sido importante para você "começar" a entender a razão do verdadeiro evangelho onde o foco é a solidariedade e caridade e não a ajuda aos líderes de igrejas.
A graça esteja convosco sempre
Irmão teísta.

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